a dependência do petróleo: ferida aberta das sociedades modernas

O recente bombardeio de uma refinaria na Arábia Saudita expõe uma ferida aberta das sociedades modernas: a dependência do petróleo! Uma dependência ampla e profunda, excessiva, já relativamente antiga e que ainda deve persistir por muito tempo.

As energias renováveis surgem como uma alternativa para um mundo melhor, mas por que não vemos o mundo definitivamente abrindo mão do petróleo e de outros recursos não renováveis? Qual é a revolução necessária para que as alternativas renováveis substituam os recursos não renováveis para obtenção de suprimentos de energia?

Uma característica importante das energias renováveis é que elas fornecem energia em menores concentrações, se comparadas aos suprimentos que podem ser obtidos em usinas termelétricas. Energia em grandes concentrações também pode ser obtida com usinas hidrelétricas de grande porte e, mais recentemente, com grandes fazendas eólicas e fotovoltaicas.

Nesse sentido, o Brasil é um país privilegiado pelos seus recursos energéticos renováveis.

Essas usinas que fornecem energia em grandes concentrações são fundamentais para suprimento de grandes cidades e grandes complexos industriais e, portanto, para manter a nossa sociedade, nos moldes como ela foi construída. Mas essas usinas exercem um efeito social que é centralizador.

As energias renováveis, por outro lado, podem ser melhor exploradas em empreendimentos de pequenas e médias dimensões, inseridos economicamente nas comunidades próximas, exercendo assim um efeito descentralizador.

A sociedade atual, uma sociedade “do petróleo”, precisa então se tornar uma sociedade “renovável”, menos concentrada em grandes centros urbanos, mais aberta ao uso racional de energia, mais aberta a se adaptar às mudanças necessárias para a exploração dos recursos renováveis, mais aberta ao desenvolvimento tecnológico e ao progresso da ciência.

Os recursos renováveis encontram-se melhor distribuídos ao redor do planeta, mas apresentam uma variabilidade ao longo do tempo que dificulta seu aproveitamento. A energia solar varia ao longo dos dias e das estações do ano e os ventos sofrem influência de fenômenos meteorológicos. A energia hidrelétrica é que apresenta menor variabilidade. E há ainda a energia das ondas e das marés. Os recursos em grande parte já estão mapeados, mas ainda há muito para ser feito, e sua exploração deve ser resultado de um planejamento criterioso.

Este texto foi publicado pela seção duas visões da editoria de opinião do jornal Zero Hora, no final de semana de 21 e 22 de setembro de 2019, em ferida aberta das sociedades modernas. O assunto desse final de semana foi a dependência mundial do petróleo e o artigo foi publicado também pela versão impressa.

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